Instalação imita buraco negro na Tate Modern

terça-feira, outubro 13, 2009 10:09

Instalação de artista polonês cria enorme espaço de escuridão.

- A instalação How It Is, (Como É, em tradução-livre) foi aberta ao público nesta terça-feira no museu Tate Modern, em Londres.

A enorme instalação ocupa o Turbine Hall, o espaço de exposições na entrada do museu.

Ao entrar na enorme câmara de metal, que tem 30 metros de comprimento por 10 metros de largura, os visitantes têm a impressão de estar entrando em um buraco negro.

“É tudo e nada, de certa forma”, diz o artista polonês Miroslaw Balka, criador da obra. “Quando decidi fazer a escultura eu realmente não sabia sobre o que ela seria.”

Segundo ele, seu trabalho é também sobre a sensação de se familiarizar com uma situação que no início parece estranha, mas que depois se torna normal, menos assustadora.

Ao entrar na escultura, o visitante, que não enxerga quase nada, tem os outros sentidos aguçados, podendo prestar mais atenção no eco de seus passos ou na textura aveludada das paredes.

Os organizadores da exposição dizem que funcionários com lanternas irão patrulhar a escultura para ajudar visitantes que possam entrar em pânico por cauda da escuridão.

Esta é a décima instalação anual da série Tate Unilever.

Nos anos anteriores, as exposições incluíram uma enorme fenda, criada por Doris Salcedo e também uma série de slides gigantes do artista belga Carsten Holler.

Fonte: Estadão.com.br

Olimpíada de Londres bate recorde em venda de transmissão

quarta-feira, outubro 7, 2009 21:28

A pouco mais de quatro meses para o início dos Jogos de Inverno de Vancouver-2010 e quase três anos para a Olimpíada de Verão de Londres-2012, o Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou que os contratos assinados pela entidade garantem o mais lucrativo ciclo olímpico da História no quesito transmissão. No total, gerou US$ 3,8 bilhões (R$ 6,7 bilhões) com as negociações, US$ 1,2 bilhão (R$ 2,1 bilhões) a mais do que o ciclo anterior, que compreendeu os Jogos de Turim-2006 e Pequim-2008.

Segundo o presidente do COI, Jacques Rogge, os Jogos de Inverno de Sochi-2014 e de Verão do Rio, em 2016, já somam US$ 920 milhões (R$ 1,6 bilhão) em acordos televisivos. No Brasil, Globo, Record e Band compraram os direitos, por um total de US$ 210 milhões (R$ 370 milhões), sendo US$ 170 milhões (R$ 298 milhões) para a exibição e US$ 40 milhões (R$ 70 milhões) em pacotes promocionais.

Os números ainda tendem a crescer por conta do acerto com uma emissora americana ainda não conhecida. Apenas este contrato representa bilhões de dólares pela valorização esperada em relação ao contrato com a NBC, que vai desembolsar US$ 2,2 bilhões (R$ 3,8 bilhões) para o ciclo 2010-2012.

A Olimpíada de 2016 vai favorecer a transmissão nos EUA, principalmente em função do fuso horário em relação ao Rio de Janeiro. Tendo como base a cidade de Nova York, a diferença é de apenas uma hora a menos para os americanos. Já para Londres, é de cinco horas.

De acordo com o COI, o acerto depende apenas de uma melhora no clima econômico do país, pivô da crise mundial. A entidade ainda precisa concluir os acordos com os grandes países europeus, que devem significar incremento de centenas de milhões de dólares.

Fonte:  o Globo

Ivan Lessa: Uma casca de banana na Escócia

quarta-feira, outubro 7, 2009 6:33

Eu faço uma porção de coisas erradas. Londres está cheia de coisas erradas. Vez por outra, no entanto, há que se dar uma parada nas reclamações e nas auto-recriminações e fazer aquilo que nossas tias recomendavam: “Veja o lado bom das coisas.” Ser menos negativo e mais positivo. Vá lá que seja, eu topo. Afinal, o outono é a estação ideal para se levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima.

Numa Londres que aos meus olhos, pelo menos, vem perdendo sua graça a cada dia que passa, sou fã do lixo e seu recolhimento. Primeiro, as autoridades locais do bairro distribuem vastos sacos pretos de plástico resistente, para o lixo comum, e outros alaranjados e transparentes para tudo que for reciclável.

Depois, duas vezes por semana, às segundas e quintas, os lixeiros - perdão, refiro-me à brava rapaziada responsável pela coleta e tratamento dos resíduos naturais a uma vivenda (waste management) - passam e recolhem tudo que, na casa de quatro andares em que moro, fica armazenado por nós, moradores, num depósito do porão, em vastas caixas pretas de lixo, cada uma com o número de seu respectivo flat. Cumpro minha parte não jogando nada fora nas ruas de meu bairro. Qualquer bairro. Muito menos casca de banana.

No que aproveito a deixa, mantenho o equilíbrio e pego um trem com direção à Escócia para ver como andam por lá em matéria de bananas. Não, não. Banana não é fruta típica do aprazível país situado no norte do Reino Unido. A banana é simplesmente uma iguaria incomparável para os britânicos. Escocês então, nem se fala. Pior para mim que nunca dei muita bola (mas também não dei banana) para as bananas. Fritas, com açúcar e uma canelinha por cima, tudo bem. Ao natural, me eram e me são indiferentes. Prefiro manga. Azar o meu.

O que há lá por cima, na Escócia, é que suas paisagens magníficas, louvadas em cantos e livros por conhecedores, estão sofrendo com os caminhantes profissionais e amadores, para não falar dos alpinistas, pois monte e montanha, é com a Escócia.

A mais famosa montanha escocesa, Ben Nevis, acha-se ameaçada pelas bananas. Mais precisamente, pelas cascas de bananas. Britânico, de que país for, não é besta de jogar banana fora. Andam, isto sim, desfazendo-se mal das cascas de banana que consomem em seus passeios e excursões.

O John Muir Trust, que zela pela natureza da Escócia, acaba de dar um bom, e merecido, puxão de orelhas nos andarilhos e desbravadores, profissionais ou amadores. O Trust informa que, no momento, neste ano de 2009, há perto de mil cascas de bananas espalhadas por Ben Nevis. Isto significa que serão necessários dois anos até que sucumbam por completo à biodegradação ideal.

Tendo o fato me chamado a atenção, procurei saber mais sobre o tempo necessário para a correta biodegradação das coisas mais comuns que as gentes irresponsáveis, não importa sua nacionalidade, jogam fora como lixo, emporcalhando assim as ruas deste pobre mundo de Deus.

Um saco de papel: um mês.

A polpa de uma maçã: oito semanas.

Casca de banana ou de laranja: dois anos.

Guimba de cigarro: de 18 meses a - atenção! - 500 anos.

Saco plástico: 10 a 20 anos.

Garrafa plástica: 450 anos.

E, last but not least, a goma de mascar: um milhão de anos. Repetindo, um milhão de anos, sim, senhor.

Neste setor, ao menos, não tenho com que me preocupar. Além de não mascar nada nem sujar rua nenhuma, minhas poluições biodegradáveis viajam duas vezes por semana em vistosas sacolas plásticas transparentes como eu e sob o cuidado altamente profissional de waste managers de primeiríssima categoria.

Fonte:  O Globo / BBC Brasil